Ficar à toa: você consegue?

Estamos todo o tempo buscando uma maneira de darmos conta de nossas tarefas.A busca da produtividade é uma constante em nossas vidas. Precisamos encontrar os amigos, ajudarmos pessoas, organizarmos a casa bagunçada, estudar e cuidar das crianças,buscar uma atualização profissional, estudarmos outra língua, … ufa!Cadê o tempo do descanso?Será que as poucas horas de sono são suficientes para deixar o cérebro «descansar»? Seria a nossa carga de trabalho humana ou desumana? O que queremos conquistar com tudo isso e como conseguir achar tempo para tudo?

O neurocientista Andrew Smart, pesquisador da Universidade de Nova York, andou se perguntando porque, apesar de tantos livros, treinamentos e palestras sobre foco e produtividade, parecemos ter menos tempo livre.

Ele, como os gregos que desprezavam o trabalho, Paul Lafargue (autor do clássico «Direito à Preguiça»), e o sociólogo e filósofo italiano Domenico de Masi, que escreveu «O Ócio Criativo», defende que devemos abandonar o conceito de produtividade e propõe não fazermos absolutamente nada. Nada mesmo?!?!?! Por que razão?
Ele afirma que quando nos não nos permitimos um tempo de descanso, colocando o cérebro constantemente num estado de vigilância, alimentamos uma situação perigosa a longo prazo. Segundo Smart, estudos clínicos sobre horas de trabalho e doença cardíaca coronária mostraram que as pessoas que trabalham mais horas têm 40% de risco extra de doença do coração. Isso é quase tão grave quanto fumar.
Volto à pergunta: seria a nossa carga de trabalho humana ou desumana? Muitos estudiosos acham que ela é desumana. Economistas como Keynes propuseram uma semana de trabalho de 15 horas!!! Oscar Wilde escreveu em «Alma do Homem sob o Socialismo» que a meta da vida não é o trabalho, mas a diversão, e assumia que a tecnologia deveria trabalhar para a humanidade, em vez de o contrário.
Seria o ócio uma forma inteligente de «produzirmos» mais?
Einstein dizia que quando estava realmente tentando decifrar algo, ele ia dormir. Ele sabia que o cérebro necessita estar disperso para encontrar soluções. O neurocientista Smart alega que o equilíbrio é necessário: «você precisa do ócio para ser criativo, mas, assim que tem uma idéia, precisa focar para dar-lhe alguma existência fora da sua cabeça … Para coisas como resolver problemas complexos de matemática ou ciência, ou mesmo no caso de Einstein, reimaginar completamente a estrutura do universo, esses períodos de ócio disperso são essenciais.»
Refletindo sobre a carga de trabalho, Smart escreve que ele mesmo não sabe o que deveria vir antes: a luta por melhores salários ou por menos trabalho. Isso porque incrementar marginalmente o salário parece sempre levar a muito mais trabalho em proporção à remuneração, já que as empresas precisam a todo momentos maximizar os lucros, sociais ou ambientais, a todo custo.
Mas por que é tão difícil pensarmos em trabalhar um pouco menos? Simples:porque as pessoas acreditam ou são doutrinadas a acreditar que a felicidade virá quando tiverem muito dinheiro, uma carreira de prestígio ou conquistarem um outro status social. Muitos abrem mão de filhos, parceiros, família ou mesmo de um emprego mais «saudável» porque buscam incessantemente esse tal novo status a qualquer preço.
De acordo com muitas pesquisas, carreiras de prestígio, status social elevado ou muito dinheiro não trazem necessariamente felicidade à grande maioria das pessoas. O que realmente importa são os amigos, as conexões sociais e algum tipo de propósito de vida. Eu particularmente acredito que esse tal propósito de vida é muito importante para identificarmos o que realmente importa para cada um de nós.
Voltando ao neurocientista e a necessidade do ócio, Smart afirma que quando temos controle e poder de decisão sobre o uso do nosso tempo e sabemos lidar com o nosso «ócio solitário» conseguimos a chave da verdadeira felicidade.
E você, consegue praticar algumas vezes o ócio sem se sentir entendiado ou envergonhado de não estar fazendo nada? 

4 comentários

  1. Claudia você tem muita sensibilidade! A sua delicadeza com as considerações femininas me encantam. Sagitarianas desconhecem o ócio…

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